CHRISTIANE F 4











28/09/2005 00:04



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"POLÍTICA É COMIGO MESMO!"


Entrevista em 2005 á revista dinamarquesa Politiken ¨ ¨ ¨ Por Louise Sjöström and Rikke Danielsen.
Mais abaixo: a estrela de cinema em cenas de "Decoder"








Ela põe óculos escuros e se certifica que a garrafa de vinho tinto possa ser aberta com um saca-rolhas. “Olha, eu aprendi isso na Grécia.” Ela se abaixa e aperta a rolha com
seu polegar. (puuutt!) A rolha sai voando como uma bala e quase acerta a cabeça de um dos repórteres (hehehe).

As mãos são bem-feitas, como tudo mais nela. Do cabelo lustroso á sombra prateada de seus olhos. Verdes. Divinos. Puros. É em um flat num belo subúrbio de Berlim que
nós estamos, e os olhos dela refletem o verde à nossa volta.

Ela aponta uma cicatriz azul de 7 centímetros em seu pescoço. “Uma agulha de injeção quebrou aqui.” A tatuagem negra em seu braço direito a acompanha há décadas
desde a mesma época. Uma águia alemã Adler com as iniciais CF.

Na sala senta-se seu filho de 8 anos Nico. “Meu dia é estruturado por meu filho. Eu sempre acordo meia hora antes de ele levantar. Ligo o rádio e o aquecedor para dar
uma atmosfera em casa; então ele fica em um bom humor...”









“... Em vez de achar tudo sórdido. Minha mãe nos acordava ás 10 para as 7 e logo ia ao trabalho. Não havia almoço empacotado para nós. Nada.
Nós tínhamos que nos suprir sozinhas. Eles eram simplesmente pais ruins. É tão fácil fazer as crianças felizes.
Fazê-las se sentirem seguras, então eles sabem que alguém toma conta deles e é apaixonado por eles. Nossos pais não poderiam nos dar isso.”


Ela sorri para Nico e assanha seu cabelo. Ele vem para a sala com um livro e senta ao lado da mãe.
“Ele é um super garoto. Quando eu penso em minha própria adolescência, e que eu sou uma mãe hoje, eu penso:
“Bem-feito, Christiane." Porque é inacreditável. Eu quero dizer... só o fato de estar viva!..."


Ironia pura: o livro de suas memórias foi considerado o mais chocante já escrito e até trazia uma advertência na capa:
“desaconselhável para menores”; ao mesmo tempo é recomendado em escolas. Inclusive onde Nico estuda.
“De qualquer jeito, eu sou um bocado diferente do círculo de pais normais. Eles sempre percebem coisas, de um jeito ou de outro.
Na volta da reunião de pais e professores, eu ganho da classe uma amostra do meu próprio livro.”


Aos 18 ela se apaixonou por um empresário musical, que lhe deu acesso á cena punk de Hamburgo – e drogas em abundância. A cocaína era tão comum quanto cigarro,
e todo mundo cheirava pra caralho.
( Os cretinos se orgulhavam disso...) “Eu queria mesmo era fazer parte do grupo. O que seria se eu dissesse não?”
(Bem, ia se poupar de problemas no nariz, baby. Mas o seu medo da solidão é maior do que tudo.) Mas foi aos 21 que a Madame H retornou para ela,
seis anos depois: “Eu perdi a firmeza. Nem meu corpo, mente ou alma poderiam continuar assim. Então quando um deles me ofereceu heroína...

eu apenas dei de ombros e disse: 'Porque não? Só uma vez.' Eu vomitei, porque meu corpo estava totalmente limpo. Mas então nós fizemos isso
de novo, porque era tão legal...” (tão ilegal...)









Na onda da cocaína com Bowie



“Eu nunca vi o meu filme.
Não podia me reconhecer ali. Oh... talvez me reconhecesse até demais. A primeira vez na cama com meu namorado, e todas aquelas coisas...
e havia a imprensa do mundo todo, com os jornalistas sentados atrás de mim, com todas aquelas perguntas...”

Não até a premiére na Suíça. Christiane F e uma amiga foram convidadas para ver o filme com seu grande ídolo David Bowie.
(Por sinal, também um dos atores que trabalharam pra ela, interpretando a si mesmo e repetindo o show que dera em Berlim em 76. )
“Fomos ao hotel de Bowie em Lausanne e usamos cocaína com ele. A primeira vez que o vi, fiquei algo desapontada. Ele é tão baixinho!”

“Mas curti a experiência. Pensei comigo mesma: “Aqui estou eu. Christiane & David Bowie num cinema, alugado só para nós.”
Nas poltronas, era um sonho que virou realidade.

Só minha amiga que não agüentou ver aquele drama na telona até o fim. Ela levantou para o banheiro e não voltava. Quando o filme acabou, fui ver o que estava acontecendo.
Ela estava sentada, chorando. Totalmente esmagada com tudo aquilo. Enquanto eu me realizava!... Oh, Deus, aquilo foi divertido!”

Depois que passei a noite com David, eu entendi o aviso que ele deu sobre ser uma grande estrela. Ele ficou mal quando ficou famoso. (Ossos do orifício, né, tia Bowie?)
Vastos problemas com drogas. Então ele me disse pra ter cuidado.”









La Dolce Vita - Jantando com Fellini



A adolescente mais famosa do mundo.
Anos dourados: Christiane Felscherinow viaja pelo mundo e entra para a alta sociedade.
Paparicada pelos figurões que escolhia a dedo. Idolatrada por seus ídolos. Que virada de mesa!

“Dois anos depois, reencontro David Bowie, desta vez num clube em Berlim. Ele me perguntou se eu queria ir com ele a um show dos Rolling Stones. Em Köln.
Fomos lá de avião. Durante o show, comigo sentada junto ao palco, entre a terceira e quarta música, ele me perguntou se eu estava gostando do show.
Eu disse “yeah”. Foi um encontro ainda melhor do que o outro, porque eu já sabia inglês melhor.”

Até a elite cultural européia quis vê-la. O dono da editora Diógenes era amigo do cineasta italiano Federico Fellini. Eles tinham grandes planos para Christiane.
“Os seus talentos, a sua vitalidade e sua experiência podem lhe levar longe!” Era o que eles diziam. Então eles a levaram para premiéres de teatro e cinema,
e para a produção de filmes, como Fellini, e tentaram despertar seu interesse em longas e filosóficas conversas durante jantares.


“A droga da fama me deixou tão viciada quanto a heroína.” Ela se cansou do jet-set: um beijo de David Bowie, um drink com Fellini,
piadas com Lorit em St. Moritz. “Quando eu era jovem e vivia na Grécia, eu nem precisava de dinheiro nenhum.
Eu dormi em estábulos de carneiros, colhia uvas nos campos de vinho e fabricava queijo.”








Acredite se quiser: esta era Christiane F em 1977: uma morta-viva de 15 anos aparentando ser um zumbi. E era mesmo!


"Desci até o último estágio da carreira de um viciado. Quando os clientes rareavam, não recuava em partir pra delinquência. Virei uma ladra.
Mas isso não iria muito longe, não nasci pra isso e não tinha os nervos tão sólidos. No dia que uma turma de viciados me levou pra cometer
um roubo, dei pra trás. Minha maior façanha foi o roubo de um transístor de um carro, depois que eu quebrei a janela com um soco inglês.
Precisei tomar um quarto de garrafa de vermute pra tomar coragem."




Escolha: prisão ou terapia



Nossa heroína ficou entediada e em vez disso encontrou um passatempo na náite de Zurique, Suíça. “Eu estava numa fase da minha vida em que eu não conseguia ouvir ninguém.
Então, eu extrapolei. Havia um lugar em Zurique, chamado Platz Spitz, que era muito nojento. Um monte de drogas, onde você podia se picar mais ou menos á vista de todos”.
Christiane voltou a Berlim, e no verão de 85 tudo se perdeu. Ela foi pega pela polícia (de novo!) numa batida no apartamento de um trafica. E a levaram pra Detenção.
Então ela teve uma escolha: cadeia ou terapia. “Não aceitei a chantagem. Já tinha passado por aquilo e sabia o que me esperava. A terapia era pura lavagem cerebral.”

“Então eu fui sentenciada a dez meses na prisão.”







Livia S. morreu de overdose de heroína no toalete público
de Hansaplatz depois de três anos se picando desde os 15





Seis anos na Grécia


Ela joga fora a bituca do cigarro e escancara a porta da varanda. O novo flat fica limpo da fumaça. Os graus abaixo de zero naturalmente limitam os níveis diários de nicotina.
Quem são seus amigos hoje? “Eu não tenho amigo nenhum.” A resposta vem sem hesitação, e soa com um misto de indiferença e naturalidade. Mas era diferente na Grécia.
“As pessoas lá me mostraram, pela primeira vez na minha vida, o que é a amizade. Aquelas pessoas dividiam tudo comigo, toda sua comida e todo seu dinheiro.
Eles demonstraram confiança. E eles me ensinaram a confiar em outras pessoas."


Em 86 Christiane foi sozinha ás ilhas gregas. Na multidão, um jovem chamou sua atenção. Não só porque ela gostou de sua aparência, mas também por causa do cão preto belga
com que ele brincava. Ela sempre quis um namorado com um cão. E ele não tirava os olhos dela. Eles começaram a conversar e logo ela convidou-o a entrar.
“Você não precisa pedir a um grego duas vezes.” (risos) Christiane curtiu o resto do feriadão com Panagiotis até voltar para o seu namorado na Alemanha.


No ano seguinte – agora sem o namorado alemão – Christiane voltou á Grécia.” Á noite, eu sentei num táxi, atravessei a ilha e fui á praia. Eu podia ver a lua pela janela e pensei:
“Querida lua: por favor, me ajude a encontrá-lo! (risos) Eu quero mesmo vê-lo de novo!” E na manhã seguinte ela o reviu. A relação durou 6 anos. “Primeiro e mais importante:
eu aprendi um monte como mulher. Ele tinha tanta tranqüilidade. Ele era muito masculino e tomou aquela parte masculina da relação. Havia um monte de coisas que eu
não precisei saber sozinha. E eu gostei daquilo. Naquele ponto da minha vida eu precisava de calma. Foi mesmo bem-vindo pra mim.”


A relação com Panagiotis parecia ser a coisa certa para interromper o ciclo de drogas e prisões. Exceto por um detalhe crucial. Christiane sabia desde a primeira vez que o viu:
Panagiotis era um viciado. “Você podia ver pelo jeito que ele fala, anda e gesticula. Movimentos curtos e rápidos. Havia dinheiro trocado por drogas.
Constantemente conversando no telefone. Você via logo qual era a dele.”









“Eu não aguento mais!”


Nos primeiros anos as drogas não eram parte importante da relação. Christiane e Panagiotis viajaram pela Grécia e só periodicamente (aham!) usavam drogas.
Mas a vida cigana era extenuante pra ela... Então, a droga se tornou mais importante - e ele foi em cana por porte da coisa. Christiane visitou-o atrás das grades
e esperou até o soltarem. Só faltava casar... Mas aí o maluco foi pra jaula de novo, e ela não aguentou mais. Apoiar, visitar, esperar... e se virar sozinha. Com heroína.
Gastava os dias circulando por Atenas para o próximo pico... “Havia problemas demais em procurar drogas em Atenas. Com a polícia rondando o bairro todo, era foda.
E a Cena... é grande pra caralho, e encontrar todo mundo ali... você simplesmente fica doido. Pra conseguir uma porçãozinha de merda, eu tinha aquele trabalho todo.
Eu disse a Panagiotis: 'Eu estou cansada, eu não aguento mais!’ ”

Então ela voltou á Alemanha em 93.



De volta aos negócios


De volta a Berlim, Christiane se picava todo dia. Tudo indicava que ela ia terminar perdendo a guerra contra seus demônios.
Em setembro de 94, caiu de uma ladeira e quebrou o ombro direito – teve uma faixa em volta do pescoço numa cama de hospital.
“Eu deixava o hospital toda noite pra comprar droga. Mas diabos, eu não podia ir até o ordinário do meu traficante vestindo a túnica do hospital e pegar um taxi
até ele. Eu não podia picar uma porra de um braço enfaixado.” Até que um dia a Enfermaria deu a ela umas pastilhas de metadona para apagar a dor. Foi a revolução!
Era uma sensação nova para Christiane, que agora não precisava mais lutar duro contra a abstinência. Depois de um mês no hospital, um amigo
levou-a a um médico privado. Lá, Christiane logo seguiu um novo programa, que ajuda a suportar a abstinência da heroína com metadona.
“Aquilo foi na época em que a metadona tornou-se legal na Alemanha. Foi mesmo uma bênção para os drogados.” (risos)


Sei não. O Dee Dee Ramone chamava essa coisa de “meu campo de concentração líquido.” Mas se pra ela foi uma bênção de Deus... Vai entender esses junkies...










A carta de despedida de Babsi

Eu não sei se você me entende, mas eu me sinto murchando agora.
Eu não sou uma artista, mas não consigo tirar isso de minha cabeça
Aqui dentro eu fico louca. Eu quero cair fora!
O começo, 2 anos, 5 anos, 10 anos, mais...
A heroína é metade de meu desejo de morte.
Eu acabei por amar a morte tanto que não consigo parar
Eu tenho apenas uma coisa em minha mente










O Círculo Vicioso do Stress


Na barra-pesada do vício, Christiane não menstruou por 2 anos. Mas quando seu corpo se livrou da heroína e aos poucos cortou a metadona, a menstruação retornou. E parou.
Mas agora por outra razão. Ela percebeu após alguns meses.


Christiane acordou uma noite com um desejo estranho. Procurou pelo bairro por arenque e pepinos na salmoura. Ela estava grávida. O nome do companheiro dela permanece
um segredo até hoje. “Nós nos encontramos quando usávamos metadona.” O casal ficou feliz demais em saber que a família ia crescer.


“Mas quando Nico nasceu, nós começamos a discutir muuuito até nos desentender totalmente. Então foi melhor para o menino que o pai dele fosse embora.”
O pai do filho de Christiane F, dez anos mais novo que ela, não aguentou a barra da paternidade
– e o casal de ex-junkies separou as escovas de dente quando o garoto tinha 1 ano de idade.


A senhora Felscherinow hoje é uma mãe feliz e atenta. Ainda está na metadona. Ela não ousa parar completamente. “Eu sei como eu reajo, cara. Quando eu fico estressada
eu dou um escândalo. Isso acontece – a cada ano, ou dois, ou três...” Por isso, uma vez por mês CF fuma heroína para acalmar o stress.

“A droga já não me dá mais aquele prazer. O efeito bom já se esgotou. Mas agora isso me deixa de cabeça fria e eu posso relaxar.”

"Estou limpa desde 95. Não tomei nada desde pouco antes de engravidar. Depois que Nico desmamou, ele entrou na escola - e a pressão sobre mim tornou-se esmagadora.
Então eu passei a fumar smack uma vez por mês e tomar 3ml de metadona por dia. Ás vezes só preciso de 1ml, em dias mais calmos."








Até hoje ninguém sabe quem fez esses desenhos: Stella ou Babsi. Sabe-se apenas que foi parte da correspondência das duas durante a internação. Mas o estilo é o mesmo...




Ela não pode mais se picar. Todas as veias dela estão esgotadas por anos e anos injetando H. É também porque suas mãos parecem inchadas e vermelhas.
O curativo tem bloqueado algumas veias, então o sangue flui de suas mãos, mas não pode voltar.

Mas a heroína é mais que um calmante. “Agora eu faço isso no maior conforto. Com almofadas e meu filme ou livro favorito.
Por exemplo, My Own Private Idaho estrelando Keanu Reeves. Eu gosto muuuito disso.”

O corpo dela não agüenta mais do que isso. “Eu não vou passar por abstinência nunca mais. Não tenho mais saco pra isso. E depois, quem iria cuidar do menino?”

Christiane não nota qualquer dano físico como consequência de tantos anos de pesados abusos. “Danos físicos?!? Ha ha ha! Que é isso, cara. Não mesmo!
Eu sou mais forte e com mais resistência que um monte de gente.”

“Yeah, mas... bem, claro que minha saúde já não é mais tão fantástica. Por exemplo, eu tenho hepatite C, então eu não devia estar bebendo esse vinho, rá rá rá.”
Aí ela pega a garrafa de novo. “Devo admitir que sou um pouco instável, eu fico nervosa mais facilmente, sabe?”








Oi, Chris. E a família, como vai?


“Meu pai bebia muito quando a vidinha dele era uma humilhação atrás da outra. E descarregava em nós. Claro que isso mudou. Hoje ele é um cara mais legal e relax.
Uma pessoa até agradável, viu? Eu posso falar com ele até melhor que com minha mãe.

E olha que eu a visito freqüentemente.”




enviada por Vermão



05/09/2005 18:04


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4 DE 5 PESSOAS QUE EXPERIMENTAM HEROÍNA NUNCA CONSEGUEM SE LIVRAR.







SEU SISTEMA DIGESTIVO ENTRA EM COLAPSO. A COMIDA APODRECE EM SEU ESTÔMAGO. VOCÊ FICA SUANDO FEZES.







HEROÍNA É MISTURADA COM CÂNDIDA. ISSO FAZ SEU CORPO COÇAR DOLOROSAMENTE.
VOCÊ ESFREGA ATRAVÉS DE SUA PELE, CARNE E MÚSCULO.







A ABSTINÊNCIA DA HEROÍNA FAZ VOCÊ DEFECAR POR HORAS.
SEU ÂNUS EMPIPOCA COM FERIDAS ABERTAS.
O PAPEL HIGIÊNICO É SENTIDO COMO CACOS DE VIDRO.







SEUS PIORES PESADELOS CHEGAM Á VIDA REAL. VOCÊ É ATACADO COM TERROR. ESTA É A PARANÓIA DA ABSTINÊNCIA DA HEROÍNA.








HEROÍNA É MISTURADA COM CÂNDIDA. SEU CORPO REAGE COÇANDO DOLOROSAMENTE POR TODA PARTE.
SUAS UNHAS ESFREGAM ATRAVÉS DE SUA PELE E MÚSCULO. FERIDAS MOLHADAS COBREM TODO SEU CORPO.
E FICAM COÇANDO DE NOVO. É UMA DOENÇA QUE 4 DE 5 QUE EXPERIMENTAM HEROÍNA NUNCA VÃO ESCAPAR.








A DIARRÉIA FLUI POR 14 HORAS EM UM FLUXO CONTÍNUO. SEU ÂNUS EMPIPOCA COM FERIDAS ABERTAS.
ATÉ O PAPEL HIGIÊNICO MAIS MACIO QUEIMA COMO FOGO. VOCÊ VOMITA UMA MUCOSA VERDE DE SUA BOCA.
ESTA É A ABSTINÊNCIA DA HEROÍNA. E 4 EM 5 PESSOAS QUE A EXPERIMENTAM NUNCA ESCAPARÃO.







O GATINHO NA PORTA AO LADO QUER RASGAR SUA GARGANTA. LÁ FORA TODOS QUEREM TE MATAR.
VOCÊ CONGELA DE TERROR E URINA NAS CALÇAS. ESTA É A PARANÓIA DA ABSTINÊNCIA DA HEROÍNA.
E 4 EM 5 PESSOAS QUE ENTRAM NUNCA SAEM.







SUA BEXIGA ESTÁ ARREBENTANDO E VOCÊ NÃO PODE ACREDITAR. SEUS INTESTINOS ENTOPEM. A COMIDA APODRECE NELES.
URINA E FEZES SÃO EMPURRADOS ATRAVÉS DOS POROS DA SUA PELE. ESTE É UM PESADELO CHAMADO HEROÍNA.
E 4 EM 5 VICIADOS VIVERÃO ESTE HORROR PELO RESTO DE SUAS VIDAS.




TOMAR HEROÍNA É VIVER O INFERNO.





enviada por Vermão



24/08/2005 11:56

CF TOUR EM BERLIM!

Fotos: Andreas Schneider






Entrada do Clube de Jovens Haus der Mitte - onde Christiane F fumou maconha pela primeira vez.






"Kessi já frequentava o Centro de Jovens. Era um lugar onde os jovens se reuniam
sob a orientação da Igreja Protestante. No subsolo havia uma espécie de discoteca,
"o Clube". A entrada só era permitida a maiores de 18, mas ninguém notava que
Kessi tinha acabado de fazer 13."





Conheça a boate mais decadente da Europa: o SOUND!








"Falsifiquei minha data de nascimento na carteira escolar, mas mesmo assim tive medo que não me deixassem entrar.
Ali se vendia de tudo, de maconha a heroína, Mandrix e Valium. Eu e Kessi preparamos um golpe, um verdadeiro plano de guerra.
Peggy, uma amiga dela um pouco mais velha que eu, viria com a gente. As meninas andavam nas ruas á toa - faziam trottoir.
Alguns caras passavam pra lá e pra cá. Peggy disse que eram os passadores. No Sound, Kessi imediatamente entrou na onda.
Ela corria de um lado pra outro á procura de caras. Ela disse que nunca tinha visto tantos caras de uma vez."







"Esperamos por seu namorado Mich. Kessi, com um ar muito importante, me contou que ele injetava heroína.
Fiquei fascinada, louca para conhecê-lo. Era a primeira vez que encontrava um usuário de drogas pesadas.
Mich chegou. Fiquei impressionada! Eu o achei ainda mais descontraído que os caras do meu bando.
Mas logo depois meu complexo de inferioridade começou a agir. Ele nos tratava com muita condescendência...
Pensei nos meus 13 anos, enquanto este junkie estava longe de mim, já adulto... Mich morreu alguns meses depois."







De uma frequentadora da boate: " Vi uma garota dançando no Sound. Ela tinha escrito
em suas roupas: ' my only hope is dope ' - ( ' minha única esperança é heroína ' )
o que essa juventude anda precisando tomar pra se sentir bem, meu deus...
Ela sacudia tanto a cabeça que eu tive medo que saltasse fora. "







"Atze me apresentou a seus amigos. Falava-se de drogas e dos melhores métodos pra voar.
E sobre isso eu já sabia tanto quanto eles. Falaram também da heroína. Estávamos todos de acordo:
Que é uma sujeira, que é melhor dar um tiro na cabeça do que se meter com heroína."

"Sábado, no cinema do Sound, fiz uma má viagem. Pela primeira vez tive um verdadeiro freak out.
A máscara de Frankenstein, que saía do ponto azul, retornava. Não podia mais falar, nem andar.
Fiquei cinco horas numa poltrona sentindo que perdia todo o sangue do meu corpo."







O primeiro pico a gente nunca esquece: eis o famoso banheiro da Bulowstrasse - onde CF parou de cheirar e foi direto na veia (urgh!)
O q vc pensa q aqueles punks faziam demorando tanto no banheiro?



"Detlef roubou um relógio. Pelo transístor consegui 50 marcos, no Sound. Excitada, disse a ele: "Puxa vida, estou cansada de cheirar, eu vou é me picar!"
Quando cheiramos, a decolagem é devagar. Mas quando injetamos, a partida é como um foguete. Já ouvira alguém da turma comparar a diferença
como um orgasmo - e queria prová-lo. Decidi experimentar, sem saber que estava me atolando ainda mais na merda. Ele me injetou toda a dose.
Parti como um foguete, mas não era assim que eu imaginava o orgasmo. E logo via um nevoeiro,
nem percebia o que se passava á minha volta e não pensava mais em nada..."




Foto: Andreas Schneider





A placa diz: "BEM-VINDOS AO CONJUNTO GROPIUS"






Fotos: J. Stockhausen










Bem-Vindo á porta da casa de Christiane F no 11° andar...






Eis o endereço - n°10, onde ela morou com a mãe mais tarde: pertinho do Sound.







A escola de Christiane: Helmholtz Oberschule Gesamtschule - onde ela conheceu Kessi e começou a turma do Bando Gropius.


"Quando não estava drogada, fumava quatro ou cinco maços por dia. E desde a primeira hora de aula, não aguentava mais, saía para fumar uns
cigarrinhos no banheiro. E continuava a fumar todas as manhãs, ao ponto de vomitar. Vomitava na cesta de papéis logo que chegava à sala de aula.
Quase sempre levava meus utensílios à escola. Se precisasse, eu me picava lá mesmo. Nos banheiros da escola,
não havia mais porta que pudesse ser fechada. Minha amiga Renate segurava a porta pra mim. Ela estava por dentro.
Acho que a maioria dos meus colegas também, mas não estavam nem aí. No Conjunto Gropius, um drogado não era nada fora do comum."







Entrada do metrô na Estação Kurfurstendamm (o Kudamm)






Fotos: Chiara Galbusera






Conhece este lugar?






"Percebi a chegada dos policiais à paisana, no metrô. Uma batida. Fugi, em pânico, com Detlef atrás de mim, e me enfiei num vagão.
Empurrei um velho que que gritou: "Puxa vida, drogada suja!" Os jornais falavam tanto do que se passava no metrô Kurfurstendamm
que todo mundo já estava sabendo. Dois policiais entraram atrás de nós. As pessoas caíram em cima da gente, grudando em nossas roupas,
gritando como histéricos! Me senti um fora-da-lei de bangue-bangue que será enforcado na primeira árvore."






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enviada por Vermão






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